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PROJETO

Conhecimento em sustentabilidade

Escritório Verde da UTFPR é exemplo de sustentabilidade e busca a certificação de operação e uso do Processo AQUA



Ficha Técnica:

Localização: Av. Silva Jardim, 807 - Curitiba - PR

Área: 150 m²

Investimento total: R$ 300.000,00

Data de finalização: dezembro de 2011

Média de consumo anual de energia: 1200 kWh

Arquitetura: EcoStudio – Soluções Sustentáveis

Construtora: TecVerde Engenharia

Gerenciador da obra: Prof. Eloy F. Casagrande Jr.

Em diversas situações de aprendizado, lançar mão do “aprender na prática” é, de fato, a melhor alternativa. Na área de construções sustentáveis não é diferente. O processo de aprendizado fica ainda mais interessante quando o conhecimento está presente em um exemplo concreto. Foi com este intuito que surgiu a ideia de construir o Escritório Verde da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), um “laboratório vivo didático e educativo”, na definição do idealizador e coordenador do projeto, o Prof. Dr. Eloy F. Casagrande Jr. A inspiração veio de exemplos com os quais ele teve contato durante o tempo em que morou na Europa e nas visitas que fez a campus universitários nos EUA. Hoje, o prédio é aberto ao público para demonstração da ecoeficiência dos produtos e das tecnologias empregadas em sua construção, por meio de visitas previamente agendadas com acompanhamento técnico, além de cursos que têm a sustentabilidade como norteadora.

De acordo com Eloy, a motivação para o desenvolvimento do projeto partiu da possibilidade de poder demonstrar a ecoeficiência da construção sustentável dentro da área acadêmica, integrando materiais e tecnologias de baixo impacto ambiental, podendo avaliá-las e, desta forma, criar uma construção de baixa emissão de carbono. Ele conta que a obra teve mais de um responsável, pois foi usado o método interdisciplinar colaborativo entre professores, alunos de pós-graduação, profissionais liberais e empresas. Além dele, estiveram envolvidos os profissionais: Dra. Libia Patricia Peralta; a arquiteta Marina Rodrigues; o Dr. Eng. Jair Urbanetz; os engenheiros Rubens Vianna e Henrique Marin Campos; e os mestres em Tecnologia Vania Deeke, João Gois e Bruno Kobiski.

O número de empresas parceiras também foi grande, somando mais de 50, que atuaram fornecendo os materiais e as tecnologias empregadas. A intensa participação gerou um dos maiores desafios do desenvolvimento do projeto, segundo Eloy: “A dificuldade era fazer com que as empresas entendessem a importância do planejamento e sentassem todas juntas para conseguirmos integração eficiente e bons resultados.”

A Dra. Libia Patricia Peralta, designer que atua no ramo de arquitetura sustentável há 20 anos e proprietária da EcoStudio – Soluções Sustentáveis, cita um desafio enfrentado relacionado ao terreno em que o escritório foi construído: “O local representava um desafio de convencimento para que os dirigentes da UTFPR aprovassem a construção no espaço enxuto do Campus Curitiba que, por estar no centro da cidade, é bem restrito.” Ela comenta, também, como foram contornados outros desafios: no campo econômico, os obstáculos foram superados com o apoio das empresas envolvidas; no social, pelas reuniões que alinhavam com todos os parceiros as necessidades de um projeto inovador; e no ambiental, por extremos cuidados tomados para que a obra impactasse minimamente no meio ambiente e para que não gerasse uso abusivo de recursos naturais.

Para Eloy, o grande diferencial do projeto é a característica de constante avaliação, que possibilita que pesquisas de mestrado e doutorado, além de trabalhos de conclusão de curso de diferentes graduações, passem pelo Escritório Verde. “O projeto foi premiado pela Universidade das Nações Unidas (UNU) – pertencente à Organização das Nações Unidas (ONU) – na área de educação para o desenvolvimento sustentável e pelo Santander Universidades na área de sustentabilidade.”

 

Construção

O Escritório Verde, que nasceu em 2010, foi construído ao longo do ano de 2011, totalizando nove meses de obras. O desenvolvimento do projeto seguiu as diretrizes do Processo AQUA, contudo, Eloy explica que, como não foi possível alinhar as prioridades dos coordenadores com as demandas do selo para a apresentação da documentação para a certificação da construção, o projeto está se submetendo à fase de operação e uso. “Esperamos apresentar os nossos resultados de dois anos de operação até o final de 2014.”

O projeto arquitetônico foi desenvolvido e acompanhado pela EcoStudio, responsável pelos primeiros esboços e que, depois, contribuiu para a decisão dos materiais de revestimentos a serem utilizados e desenhou os projetos de mobiliário interno, que ainda não foi concluído. Para Libia, o maior destaque em termos de arquitetura é a característica de espaço multifuncional, alegre, arejado e bem iluminado. “Trata-se de um espaço de trabalho e de pesquisa onde todos os atores estão em constante contato. Os espaços abertos obrigam a postura de respeito pelo outro e a interação. Já as tecnologias empregadas servem como exemplo prático de base para as pesquisas.”

Ainda nos primeiros estudos arquitetônicos foi contemplado o sistema construtivo a seco wood frame, que usa painéis OSB (Oriented Strand Board), que foi a base para a formação do projeto. Este tipo de sistema é bastante utilizado em países como Canadá e EUA e tem como principal vantagem a redução de resíduos no canteiro de obras. Isso porque, por se tratar de um método modular, as paredes chegam prontas da fábrica, para rápida montagem sem a utilização de materiais poluentes, comuns na alvenaria.

Pedro Moreira, gerente de engenharia da TecVerde Engenharia – responsável pela construção –, explica que o uso de tal sistema construtivo permitiu que o canteiro de obras gerasse menos impacto no meio ambiente também devido ao uso da madeira como principal material. “Como o principal insumo da obra é justamente a madeira de reflorestamento – material renovável de baixíssimo consumo de energia em sua produção –, o impacto ao meio ambiente foi reduzido.” Ele explica que o sistema wood frame contribui de diversas formas para a eficiência energética, inclusive para o isolamento térmico. 

Alguns ajustes de projeto foram necessários no decorrer das obras, segundo Libia, devido a aspectos como a finalidade de uso dos ambientes e as tecnologias utilizadas. Como exemplo, ela cita a reorientação da cobertura para melhor aproveitamento dos painéis solares. “O arquiteto que deseja, de fato, fazer um projeto adequado, deve estar disposto a efetuar estas mudanças para acomodar melhor as tecnologias, sempre visando a otimização do projeto. A flexibilidade e o diálogo com todos os envolvidos é essencial para atingir a sustentabilidade, que passa mais questões técnicas e tecnológicas do que estéticas, em muitas casos.” 

Além de estar presente no sistema wood frame, a madeira também teve  participação nas janelas feitas com matéria-prima proveniente de reflorestamento – Lyptus® –, portas e pisos com material certificado com o selo Forest Stewardship Council (FSC) e escada construída com resíduos. “A prioridade do uso da madeira está na estratégia do projeto para a redução da emissão de carbono”, diz Eloy.

 

Eficiência energética e baixo consumo de água

Um dos maiores diferenciais do Escritório Verde é a gestão da energia. O projeto contou com estudos de arquitetura bioclimática e de luminotécnica, além da inclusão de diversos itens, como: paredes com isolamento térmico e acústico, janelas com vidro duplo, iluminação e ventilação naturais, lâmpadas LED e geração de energia solar.

Libia explica que os painéis fotovoltaicos que foram acoplados à cobertura resultam em 2100 watts conectados à rede elétrica da concessionária e 850 watts armazenados em um banco de baterias. “A energia que não é consumida pelo Escritório Verde é repassada para os outros prédios da universidade e, em breve, deve ser retornada para a rede elétrica, voltando em forma de créditos. Esta prática já é muito comum na Europa, mas ainda é rara no Brasil.” 

O prédio possui, ainda, estrutura para o reaproveitamento de águas pluviais e itens que reduzem o uso deste insumo. “A água da chuva é captada no telhado e passa para uma cisterna que usa uma bomba solar para enviar para uma caixa d´água exclusiva, que alimenta os vasos sanitários e a irrigação dos telhados verdes e da parede verde, além das torneiras externas para limpeza”, explica Eloy. Com isso, a água potável da rede alimenta as torneiras dos banheiros e da pia do café, além de servir de suporte ao sistema quando falta água da chuva. Ele ainda diz que a economia nos banheiros ocorre graças às torneiras com sensores e redutores de consumo. O sanitário masculino possui mictório de policarbonato que não usa água para descarga e, sim, um filtro, que pode ser trocado conforme o uso.

O projeto certamente alcançou um nível expressivo de qualidade construtiva e tecnológica, devido às pesquisas e parcerias feitas. Este exemplo demonstra que a união entre pesquisadores e empresas é importante para o desenvolvimento da construção sustentável no País. “O Escritório Verde concentra o que existe de mais inovador em arquitetura e tecnologias sustentáveis aplicadas à construção civil, todas agregadas em um único projeto. Representa uma solução dentre as infinitas possíveis”, finaliza Libia.  

 

Curiosidade

Os painéis de madeira utilizados no empreendimento foram produzidos na fábrica da TecVerde por quatro operários durante 20 dias corridos. A montagem das paredes, dos pisos e da cobertura foi realizada em apenas uma semana e, na seguinte, foi concluída a instalação do telhado com telhas shingle.

Fonte: Revista Green Building - Edição 13

Tags: UTFPR, sustentabilidade, escritório verde, TecVerde, EcoStudio

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